Orientação
Você
já parou para pensar no termo orientar-se. Vem da palavra oriente que olhando
etimologicamente significaria do latim oriens,
‘o sol nascente’, de orior, orire, ‘surgir, tornar-se visível’,
palavra da qual nos vem também ‘origem’. A palavra ocidente nos vem do latim occidens,
‘o sol poente’, de occ-cidere, de op, ‘embaixo etc’, e cadere,
‘cair’. Seríamos induzidos ao seguinte entendimento: da mesma maneira que o sol
nasce no Oriente, morre no Ocidente.
Quanto
a palavra norte ela é um verbete de origem anglo-saxônica que se refere ao
ponto de convergência de todos os meridianos terrestres.
Assim
por analogia é comum nós ouvirmos comentários do tipo “esse menino está
desorientado” ou ainda “você me parece desnorteado”. É esse o sentimento das pessoas
quando perdem uma referência, é assim que ficam nossos filhos quando não lhes
damos uma verdadeira direção, e quando não conseguimos convencê-los daquilo em
que acreditamos. Meu pai nunca foi um homem de letras, mas sempre me ensinou
algumas coisas que me marcaram e levarei para o resto de meus dias, sempre me
ensinou a cumprir com os compromissos por mais árduos que eles fossem, e a
nunca me atrasar quando marcar horários. Me ensinou que o respeito é algo que
se conquista, ensinou-me que palavra dada é palavra empenhada, sempre me disse
que educação era o maior tesouro que se pode das a alguém, nunca me faltaram
livros, poderia até faltar brinquedos, mas não livros. E tudo isso ele não me
ensinou com palavras, mas sim com exemplos. Outro dia passando os olhos pelo
blog da Professora Jussara, desse educandário, encontrei um texto de Ruben
Alves que se intitulava: A vida e a Manga onde o autor hábil como nunca
consegue de uma situação corriqueira tirar lição para uma vida inteira, sobre a
importância do diálogo, da ética, dos valores, dos contra-valores, de não ser
pelego de governos antidemocráticos, e não ser refém de salários que compram
nossa liberdade de escolha, ter a consciência limpa, conseguir dormir tranqüilo
de que fez a coisa certa, ter brio, ter hombridade. Para não perderemos o norte
bastam essas pequenas coisas. E mais tenho amigos que o tempo por ser indelével
jamais separou, assim nem o tempo apaga os grandes amigos. E para pensar ainda
mais nas coisas que acredito enquanto educador na área da Geografia, ouso dizer
que das vozes dos outros eu levo a palavra, levo o que disseram e que os
comprometem pois uma palavra uma vez dita não pode ser engolida, se for escrita
ela poderá até ser apagada, mas nunca se apagará na mente daquele que ouviu, e
as vezes ouvimos impropérios daqueles que outrora admirávamos. Dos sonhos dos
outros eu tiro a razão, pois o que são os nossos sonhos, são os sonhos daqueles
que ousaram sonhar antes de nós, e que tipo de sonhos eu tenho? Aquele que meus pensamentos selecionam como
bons e aptos a me fazer bem, ou não. Dos olhos dos outros eu vejo os meus
erros, observo quando me criticam, sei reconhecer quando estou errado, sei
voltar atrás e dizer me perdoe pois errei, mas também sou taxativo quando
amparado naquilo que é bom e direito para a classe a que pertenço, e talvez por
isso entendo um pouco nosso tempo, pois entendo que deva existir ética até
entre bandidos, entre governos corruptos e seus lacaios e pelegos e por fim das
tantas saudades eu guardo a paixão...
Professor Francisco –
Licenciado em Geografia pela Univali
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